sábado, 31 de julho de 2010

E aqui começamos


Esse blog é dedicado ao estudo do charmoso bairro do Rio Vermelho, como objeto da avaliação das disciplinas Modas e Modos Contemporâneos da Professora Ariadne Moraes Silva e Moda, Arte e Subjetividade da Professsora Rosane Preciosa Sequeira, do Curso de Moda, Arte e Contemporaneidade/2009 da Unifacs.

Iremos no decorrer dos post, analisar a arquitetura, entretenimento, eventos culturais, público, moda e pequenos traços que tornam singular o bairro e nos permite traçar o perfil de vida dos moradores e frequentadores da região considerada a mais boêmia da cidade.



Inspiração

sexta-feira, 30 de julho de 2010

O Rio Vermelho

Rio Vermelho início da década de 70
Rio Vermelho antigo
Rio Vermelho 2010

O A história do Rio Vermelho é cheia de ludicismo, não se tem uma data definida, mas sabe-se que entre 1509-1511 o português Diogo Álvares Correia naufragou nas imediações do Largo da Mariquita. Ele foi logo apelidado pelos índios de o Caramuru e viveu alguns anos entre eles casando-se com a índia Paraguassu que recebeu em 1528 o nome de batismo Catarina Alvares Paraguassu.

A ocupação do Rio Vermelho pelo colonizador português foi de forma muito lenta, o local era habitado basicamente por pescadores, com núcleos nos portos da Mariquita e Santana. No século 19 o Rio Vermelho ganhou fama por possuir águas milagrosas, segundo a crença da época pessoas eram atraídas pelos banhos medicinais nas águas do mar do Rio Vermelho. Daí pra frente virou um sofisticado local de veraneio para as famílias ricas. Foram então construídos casarões e palacetes por toda região além de dois hotéis com restaurantes.

A partir dos anos 70, o antigo e requintado balneário passou a perder seus casarões e palacetes, que foram sendo gradativamente substituídos por edifícios e prédios comerciais nas regiões da Paciência, Santana e Mariquita. Surge então uma nova paisagem urbana, que retirou do Rio Vermelho a paisagem romântica de cidade do interior.

Hoje ele transita entre o moderno e o tradicional. Sua arquitetura antiga ainda é bastante preservada. A sua noite é movimentada e eclética, é um reduto da boemia, concentra restaurantes, casas noturnas e bares.

Tradição do Acarajé


No boêmio Rio Vermelho um ponto forte é a tradição do acarajé. Nesta vizinhança encontram-se três das mais famosas barracas de acarajé de Salvador, Dinha e Regina que demarcam seu espaço no largo de Santana e Cira no largo da Mariquita, próximo ao Mercado do Peixe, além de outras não tão famosas mas também muito admiradas como Marly e Rita.
O cheiro do acarajé vai inebriando quem passa pelo local tornando quase que impossível resistir a tal iguaria. E a tradição de sentar-se ao largo e degustar algum dos quitutes produzidos pelas famosas baianas do local acompanhado de uma cervejinha bem gelada, virou um ritual comum durante o dia ou noite e por todos os dias da semana para aqueles que retornam do trabalho ou os que estão apenas começando a noite.
No Rio Vermelho, as baianas de acarajé apareceram como ambulantes pelas ruas e largos onde ficavam as casas dos veranistas, que eram freguesia certa. A primeira baiana que estabeleceu tabuleiro fixo na região foi a avó de Dinha, a qual trabalhou desde os 7 anos como ajudante da avó e deu fama ao local virando uma celebridade nacional além de enterrar por completo o preconceito de que comer na rua era coisa de gente sem educação.
A fama de Dinha foi além dos limites de Salvador atraindo para a região celebridades de todo o Brasil unicamente para conhecer seus quitutes. E atraindo também baianas tradicionais de outras regiões de Salvador como Cira de Itapuã e Regina da Graça que resolveram colocar filiais nesta região para atender o crescente mercado e com isso solidificando a tradição do acarajé no Bairro do Rio Vermelho.